É impressionante nossa capacidade de mudarmos de ideia. Que
o ser humano é mutável não resta dúvidas. Mas hoje, surpreende-me a velocidade
como o processo se dá.
Não é ruim mudar o rumo, trocar o foco. Ao contrário, acho
até fundamental essa maleabilidade, essa capacidade que temos de nos adaptarmos
às diferentes situações e às diversas realidades que se apresentam.
O ruim é quando tais mudanças não sofrem a maturação
necessária. Sabe quando o vinho tem tudo para ser bom, mas a pressa faz com que
a garrafa seja aberta antes do prazo? Pois é, ao invés de saborear a melhor
safra, você irá saborear o medíocre. O mesmo ocorre com os pensamentos. Eles
podem vir a se tornar excelentes ideias, mas a pressa, sempre inimiga da
perfeição e companheira da opressão impede que o processo chegue ao fim.
Saudade do que não vivi, ou melhor, vivi sim, pelo menos um
pouco. Grandes momentos em que parávamos e ouvíamos a voz da experiência. Não
que ela fosse infalível, não é. Mas ao menos não considerávamos perda de tempo
ouvi-la, e se a achássemos errada ao menos questionávamos. E não é esse o
objetivo da transmissão de conhecimento? Formar cidadãos críticos?
Tornamo-nos uma geração volúvel, aquela que não ouve, ou
pouco ouve, e se deixa levar ao sabor das ondas. Camarão que dorme a onda leva.
Ô se leva!
Ainda assim, considero as mudanças válidas, pois sempre temi
a síndrome de “Gabriela” (Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre
assim...). Ser maleável evita preconceitos
e velhas filosofias rotas, carentes de reformulação.
O que nos falta é aprendermos a ponderar, a conviver melhor
com os extremismos, com as urgências do mundo moderno que nos faz travar uma
luta desleal entre presente e passado, que com certeza afetará nosso futuro. E
você o que acha?


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